engenharia genética

quinta-feira, março 23, 2006

RECUSAS DOS ALIMENTOS TRANSGÉNICOS

ORGANISMOS GENÉTICAMENTE MODIFICADOS "PREJUDICAM" AGRICULTORES E OS MULTINACIONAIS SÃO AS ÚNICAS "BENIFICIADAS"

A Direcção de Organização do Algarve do Partido Comunista Português (PCP) acusa o Governo de estar a acelerar o processo de implementação do cultivo de transgénicos. De acordo com esta estrutura partidária, "o PCP olha para a biotecnologia e o seu progresso com confiança, mas recusamos injustificadas pressas para mais quando os impactos desses avanços da ciência não estão devidamente estudados em toda a sua dimensão". Para os comunistas, o processo "tende a penalizar os agricultores" tradicionais e "não favorece as necessidades e características fundamentais da agricultura portuguesa, particularmente na nossa região". Segundo o PCP, em matéria de Organismos Geneticamente Modificados (OGM), "quem opera estas tecnologias são as grandes multinacionais da engenharia genética e da biotecnologia, sendo elas as detentoras do registo de patente do novo código genético, ou seja, do código resultante do produto manipulado". De acordo com os comunistas algarvios, "são essas empresas as directamente beneficiadas com a massificação da utilização de OGM, obrigando o agricultor a adquirir anualmente as sementes e aumentando a sua dependência em relação a essas empresas e da agricultura portuguesa em relação ao exterior, diminuindo a nossa soberania produtiva e alimentar". O PCP alerta ainda para a dificuldade de coexistência entre o cultivo de OGM e a agricultura convencional: "tal como já aconteceu noutros países, pode ocorrer a migração de genes, nomeadamente através do pólen para as culturas circundantes", com possíveis "efeitos devastadores sobre uma agricultura já debilitada como a nossa", sustentam. Particularmente grave, acrescentam, "é a possibilidade de contaminação das explorações de agricultura biológica, podendo mesmo inviabilizar este modo de produção mais amigo do ambiente". Para o PCP, é imperioso salvaguardar os direitos destes agricultores. "Tanto mais quando existe um Plano Nacional de Desenvolvimento da Agricultura Biológica", referem. Segundo os comunistas algarvios, "a utilização de OGM permite e está frequentemente associada à utilização intensiva de pesticidas e fertilizantes de carácter persistente e de lenta biodegradação". Esse facto, acrescentam, "pode conduzir ao esgotamento da fertilidade dos solos". "À luz destas preocupações", dizem, "não se entende a pressa do Governo em autorizar o cultivo de OGM e a sua lentidão em proibir" a sua introdução em zonas autodeclaradas livres deste tipo de culturas, "como é o caso do Algarve e de alguns dos seus concelhos", concluem.